Você não está equilibrado. Você só não percebeu ainda qual parte de si mesmo ficou para trás. A ideia de equilíbrio vende uma imagem confortável: uma balança bem ajustada entre trabalho e descanso, entre prazer e responsabilidade, entre o agora e o depois. Mas olhe para qualquer vida de perto e essa geometria desaparece. O que existe são inclinações fortes — alguém que vive com intensidade total em uma área da vida e com cálculo frio em outra. Alguém que planeja a aposentadoria com precisão de engenheiro e não planeja o próprio fim de semana. E o mais estranho: essas vidas não parecem quebradas. Parecem ter uma lógica própria — só que essa lógica não tem nada a ver com simetria. Isso sugere uma inversão importante: talvez o equilíbrio não seja uma característica das partes, mas do conjunto. A vida não precisa ser simétrica em cada uma de suas dimensões para adquirir coerência. Em muitos casos, aquilo que parece excesso num campo sustenta aquilo que parece insuficiência em outro. O ...
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